Os Quatro Pilares da Educação em Casa

Os Quatro Pilares da Educação em Casa

Autor: Celso Antunes

Quando, em 1990, na cidade de Jontien, na Tailândia, a Conferência Nacional sobre Educação patrocinada pela UNESCO terminou, edificando a certeza de que a educação para o século XXI não poderia deixar de se apoiar em quatro pilares essenciais – aprender a conhecer, aprender a viver com os outros, aprender a fazer e aprender a ser, acreditou-se que seria essa uma nova ideologia e o sentido de uma ousada busca para todas as escolas do mundo. Realmente, é impossível contestar-se a validade desses pensamentos e, em um mundo que se globaliza cada vez mais, não existe escola possível sem que esses pilares a sustentem. O que, entretanto, nem todos se deram conta é de que não apenas a escola, mas também e, sobretudo, a família necessitam estar plenamente afinadas a essas metas, construindo-as no âmbito do lar. Portanto, separar escola de família e pensar no futuro é mais ou menos como isolar amor de emoção, achando que um desses sentimentos possa verdadeiramente existir sem o outro.

É evidente que o enfoque específico desses pilares se diferenciam se estimulado no lar e na escola, afinal, o lar prepara o futuro pensando na felicidade nos filhos e seu eventual sucesso como elemento complementar a essa felicidade; já a escola inverte a ordem e, preparando para a cidadania e o mundo do trabalho, visa ao sucesso, sabendo que será este, quase sempre, um veículo para a felicidade.

Assim sendo, o primeiro pilar na sala de aula subverte a informação e a submete à aprendizagem e, portanto, bem mais se preocupa em ensinar o aluno a aprender que a dominar os conceitos, até mesmo pela rapidez com que estes se transformam. Na família, o primeiro pilar refere-se mais ao aprender a conhecer e, assim, a fazer uma leitura do tempo e do espaço tendo como referência gente e valores e como estratégia sua prática nas relações pessoais. Aprender a aprender ajuda a criança a aprender a conhecer, mas, quanto mais essa criança conhece, seguramente melhor aprende.

O segundo pilar tem foco similar; no entanto, enquanto a escola ensina e disponibiliza o aluno para o outro e para a aceitação das diferenças, encaminhando-o para trabalhar em grupo e despertando o sentimento da associação e do compartilhar, na família o ensinar relacionamento distancia-se de grupos etários homogêneos para levar a bela descoberta da amizade entre idades diferentes, entre gerações que, distantes no tempo, compartilham espaços iguais. Ainda uma vez o aprender sobre o outro aproxima escola e família, mesmo que sugerindo situações diferentes.

O terceiro pilar também tem significações escolar e familiar diferentes. O saber fazer na escola implica a capacidade de contextualizar o que se aprende no mundo em que se vive e se convive, enquanto o aprender a fazer no âmbito familiar é exercitado nas ações da criança, e depois do adolescente, na consolidação de sua ajuda e na sua participação familiar nos planos com que se fortalece a união e se direciona a busca de metas comuns. Afinal, a felicidade é uma lenta e progressiva construção que a proximidade consolida.

É apenas no quarto pilar, entretanto, que escola e família, sempre muito próximas nos anteriores, verdadeiramente se identificam, pois quem aprende a aprender, aprende a conhecer e quem alcança essa meta é capaz de bem se relacionar e transformar pensamentos em ações, distanciando o consumismo do “ter” da essência plena de “ser”.

Ser mais, ser melhor, enfim, “ser” humano, com a plenitude irrestrita que ambiguidade dessa palavra abriga.

Bibliografia: Revista Páginas Abertas, Editora Paulus, Ano 42 nº 69, 2017