EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE JARDINS

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE JARDINS

Amigo(a) leitor(a), você já havia visto a orquídea sapatinho-de-bebê? Quando vi uma imagem no Facebook, imediatamente desejei cultivá-la em meu “jardim” da educação.

Podemos fazer uma analogia perfeita com a educação, já que os sapatos lembram segurança, proteção e conforto. Eles nos remetem ao sentido da caminhada, da busca e dos desafios. Sapatos podem provocar encontros e desencontros àqueles que os calçam. A educação não tem muito disso? Ela propõe caminhada, provoca desafios que, por vezes, geram desencontros, mas, na busca planejada, conseguem-se encontros frutíferos.

Acredito que as orquídeas, estas em especial, cabem em nossos canteiros de educação. Mimosas e delicadas, porém certas do que devem fazer. Elas podem ser plantadas em vasos ou em troncos; são flores de aparência delicada, mas são guerreiras, pois conseguem se adaptar a diversos ambientes e podem floresceu o ano inteiro. Acredito que elas não exijam nada a mais do(a) jardineiro(a) que as cultive, mas, com certeza, farão diferença entre as tulipas, rosas, margaridas e girassóis.

Ao comparar a educação formal e comum à orquídea sapatinho-de-bebê, pretendo refletir sobre o currículo real e o ideal; sobre as intervenções planejadas e as simples “aulas dadas”; sobre as avaliações quantitativas. Fazer jardinagem exige persistência, conhecimento, delicadeza e sensibilidade; educação pode ser diferente? É claro que não!

Todo (a) educador (a) precisa ser forte em sua autoridade, não autoritário (a); é necessário conhecer as “ferramentas” para saber sobre sua utilização. De valem cursos, graduações, pós-graduações, mestrados, doutorados, em que se conhecem técnicas, metodologias, dinâmicas, se não se aplica o que aprendeu. Não podemos nos esquecer de que a teoria é legitimada pela prática, assim o conhecimento aplicado pode e deve ser reestruturado.

O conhecimento, a sensibilidade e a sabedoria do(a) educador(a)/jardineiro(a) permitem-nos fazer bom uso da “caixa de ferramentas”, necessária ao plantio, cultivo e colheita. Certamente as orquídeas sapatinho-de-bebê não serão cultivadas como girassol, por exemplo; da mesma forma, os (as) educandos (as), em suas várias formas de ensinar. Nossos currículos são elaborados de forma flexível, adaptável? São as universidades que determinam a matriz curricular? Será que o(a) aluno(a) “sapatinho-de-bebê tem as mesmas cobranças que o(a) aluno(a) samambaia ou tulipa?

O desafio está em cultivar orquídeas no jardim das margaridas, dos cravos, das rosas, das samambaias; porque bom(a) jardineiro(a) é aquele(a) que prepara o terreno para plantio que deseja.

Bibliografia: Revista Linha Direta – Educação por Escrita

Autora: Cláudia Rodrigues.