A Borboleta e a Psicopedagogia

Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na casca de uma árvore,

no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei bastante tempo,

mas estava demorando muito, e eu estava com pressa. Irritado, curvei-me e comecei a esquentar o casulo

com meu hálito. Eu o esquentava e o milagre começou a acontecer diante de mim, a um ritmo mais rápido

que o natural. O invólucro se abriu, a borboleta saiu se arrastando e nunca hei de esquecer o horror que

senti então: suas asas ainda não estavam abertas e com todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava

para desdobrá-las. Curvado por cima dela, eu a ajudava com o calor do meu hálito. Em vão. Era necessário

um acidente natural e o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao sol- agora era tarde demais. Meu

sopro obrigará a borboleta a se mostrar toda amarrotada, antes do tempo. Ela se agitou desesperada,

alguns segundos depois morreu na palma da minha mão. Aquele pequeno cadáver é, eu acho, o peso maior

que tenho na consciência. Hoje entendo bem isso... É um pecado mortal forçar as leis da natureza. Temos

que não nos apressar, não ficar impacientes e seguir com confiança o ritmo do Eterno.

Sugestão de leitura e reflexão, sugerido por: Rosilene Espírito Santo (Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e Ensino Fundamental I)